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Entrevista: Walter Jorge João – Presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF)


Instituto Racine – Relate-nos seu histórico profissional e acadêmico.

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Walter Jorge João – Concluí a minha graduação em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Pará (UFPA), em 1973. Em seguida, fiz mestrado em Ciência dos Alimentos e Nutrição pelo Instituto de Nutrición de Centro America y Panamá (INCAP), na Guatemala. Fui professor, por 25 anos, da UFPA, na qual exerci, também, a chefia de departamento e direção do Centro de Ciências da Saúde, entre outros cargos na área da pesquisa.Sou Conselheiro Federal de Farmácia pelo Estado do Pará, fui membro de duas Comissões Assessoras do CFF: Tomada de Contas, e Legislação e Regulamentação. Além disso, sou membro titular da Academia Nacional de Farmácia.

Depois da graduação, só aumentou a minha sede pelo conhecimento em relação ao universo farmacêutico, incluindo, aí, a minha atividade como docente, na Universidade Federal do Pará (UFPA), minha atuação como gestor no Centro de Ciências da Saúde, na mesma instituição, e minha vivência político-administrativa como Presidente do Conselho Regional e como Conselheiro Federal de Farmácia.

IR – O que o levou a escolher uma carreira na área farmacêutica?

WJJ – Sempre tive interesse pela área de alimentos e nutrição e suas funções no organismo. Ainda no terceiro ano do que, na década de 60, era chamado ensino científico, o professor de Química Orgânica, Walter Barradas, diante do meu interesse, me apresentou a grade curricular do curso de Farmácia e a disciplina de Bromatologia, que estuda, de forma integral, os alimentos, suas ações e funções. Até então, eu desconhecia o mundo farmacêutico e todas as suas possibilidades. Foi o suficiente para que, a partir daquele momento, eu tomasse a decisão que definiria minha futura vida profissional: a de ser farmacêutico.

IR – E quais foram os motivos que o levaram à atuação política profissional?

WJJ – Além de farmacêutico, fui educador e conheço a realidade da saúde brasileira. Sei o quanto a nossa população precisa dos conhecimentos e dos serviços do farmacêutico. Mas para oferecer bons serviços à sociedade, ele precisa ser reconhecido como profissional da saúde e ser valorizado. O principal motivo que me levou à atuação político-profissional foi – e continua sendo – a busca pela valorização do farmacêutico, pois creio que, com as condições necessárias e com reconhecimento, é o profissional que tem as melhores condições, por conta da sua formação, de cuidar da saúde da sociedade.

IR – Quais são as principais diferenças entre ser diretor de um Conselho Regional de Farmácia e estar na diretoria do Conselho Federal de Farmácia?

WJJ – A dimensão. A luta em favor da categoria é a mesma. A minha meta de fortalecer a profissão continua a mesma. A diferença é que agora represento mais de 150 mil profissionais.

IR – Quais são os objetivos desta primeira gestão de sua diretoria no Conselho Federal de Farmácia?

WJJ – Estou iniciando uma nova gestão e sinto o peso de representar a categoria, mas estou muito otimista, pois conto com o apoio de farmacêuticos dedicados – os companheiros de diretoria, meus assessores, os colegas do Plenário do CFF e os representantes de Conselhos Regionais. E como já afirmei, busco a parceria de todas as entidades que representam os farmacêuticos.

Temos projetos de crescimento e três anseios fundamentais: a redução da jornada de trabalho, um piso salarial em nível nacional e a regulamentação da prescrição farmacêutica. Unidos e fortes seremos reconhecidos

IR – Sob seu ponto de vista, quais são os maiores desafios do CFF na atualidade?

WJJ – O principal desafio é unir a categoria, fortalecer as ações e manter um discurso único, objetivo e consistente diante do Governo, diante da sociedade e até mesmo diante dos próprios farmacêuticos. Este é o primeiro passo para conseguirmos a união da qual necessitamos. Uma das bandeiras da atual gestão do CFF é buscar essa união com todas as entidades que representam os farmacêuticos e os seus interesses.

IR – E quanto aos profissionais farmacêuticos, quais são os principais desafios para sua atuação?

WJJ – Nós, profissionais da saúde, temos uma responsabilidade social muito grande. O crescimento econômico somado ao crescente acesso das camadas historicamente menos favorecidas a produtos e serviços, demandam, no caso dos farmacêuticos, uma atenção maior quanto ao uso racional de medicamentos. Precisamos ter ciência de que nenhum outro profissional entende mais do medicamento. Somos, na essência, prestadores de cuidados.

Existe um espaço no mercado a ser bem ocupado pelo farmacêutico. Poderia sintetizar por meio de três vertentes. A primeira diz respeito às unidades públicas de dispensação de medicamentos. Existem dois projetos de lei, um no Senado e outro da Câmara dos Deputados, que tratam da obrigatoriedade da contratação de farmacêuticos para trabalhar nas unidades públicas de dispensação de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Uma segunda é que colegas farmacêuticos, principalmente os recém-formados e nos pequenos municípios, estão se tornando pequenos empreendedores, abrindo novos estabelecimentos farmacêuticos e novos postos de trabalho. E uma terceira, que trata da atuação do farmacêutico, não somente como responsável técnico das farmácias das grandes redes, mas também, assumindo responsabilidades de gerência nesses estabelecimentos.

Por fim, tenho a convicção de que o farmacêutico, nos próximos dez anos, nos ajudará a cumprir a difícil missão de promover a assistência farmacêutica plena.

IR – Em sua gestão no Conselho Regional de Farmácia do Pará defendeu um projeto de assistência farmacêutica plena no Estado. Qual é a importância da assistência farmacêutica perante a sociedade de hoje?

WJJ – O direito à saúde é constitucional e a Assistência Farmacêutica é parte integrante deste direito. O que temos que fazer é assegurar a toda a população brasileira o acesso gratuito e com qualidade a todos os serviços de saúde. Isso quer dizer união de forças e de trabalho de todas as profissões que integram a área da saúde. A prática farmacêutica deve ser inclusiva, no sentido de que o farmacêutico aplique seus conhecimentos com a sabedoria e a inteligência de ouvir o paciente, pois é o cerne da assistência farmacêutica. A categoria merece isso, a população brasileira também.

IR – Quais são os projetos futuros que pretende implementar no CFF e quais são suas expectativas deste trabalho?

WJJ – O Brasil precisa reconhecer e valorizar o farmacêutico como profissional da saúde, aquele que tem o conhecimento total sobre medicamentos e pode atuar em outras dezenas de atividades.

Precisamos de planejamento, ações concretas e um debate constante e produtivo com a categoria. O sucesso desta empreitada depende de organização, trabalho e foco e a nova diretoria do CFF tem ciência disso.

IR – Em 2012 O Instituto Racine completa 23 anos de existência, oferecendo produtos e serviços de educação, desenvolvimento profissional e empresarial nas áreas química, farmacêutica, cosmética, hospitalar, nutricional e da saúde em geral. Como avalia o papel de uma instituição como o Instituto Racine e quais colaborações pode trazer ao mercado?

WJJ – A palavra de ordem da minha gestão à frente do CFF é união. O primeiro passo no caminho do reconhecimento e da valorização que buscamos é a união da categoria, o que, inevitavelmente, passa pela formação de qualidade e constante capacitação. Neste ponto, o Instituto Racine é parceiro da profissão farmacêutica, pois há décadas oferece cursos de pós-graduação e capacitação, além de grandes eventos farmacêuticos como a Semana Racine.

IR – O CFF apóia novamente a realização do FARMABR 2012, que compreende os Congressos 22ª Semana Racine – Congresso de Farmácia, PCare 2012 – 2º Congresso Brasileiro de Farmacêuticos Clínicos e CONBRAF – Congresso Brasileiro de Assistência Farmacêutica. O que motiva o CFF a ser o mais tradicional apoiador desta realização anual e qual é, em sua opinião, a relevância destes Congressos no cenário farmacêutico?

WJJ – A realização conjunta destes três eventos representa, na verdade, uma das grandes oportunidades nacionais de troca de experiências e encontros de profissionais, pesquisadores, docentes e estudantes. O resultado desse encontro é subjetivo, mas certamente se converte em grandes lucros para a profissão farmacêutica.

Publicado por admin 18/abril/2012

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